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Após Brumadinho, venda de minério de ferro da Vale pode cair 20% em 2019

Com a interrupção das operações em minas e usinas instaladas em Minas Gerais, após o desastre de Brumadinho – que já deixou mais de 300 vítimas, entre mortos e desaparecidos -, a Vale estima que terá uma perda de até 20% nas vendas de minério de ferro previstas para este ano, afirmou Luciano Siani Pires, diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da mineradora, em teleconferência com analistas realizada na manhã desta quinta-feira.

– Nossa estimativa de vendas de minério de ferro para 2019, dado que habitualmente não anunciamos, é de 382 milhões de toneladas. Agora, a estimativa, considerando um cenário otimista, é de um impacto de 50 milhões de toneladas nesse total, podendo chegar a 75 milhões de toneladas – explicou o executivo, o único da companhia a participar da conversa por telefone com os analistas.

A estimativa reflete o corte de 92,8 milhões de toneladas na produção anual de minério de ferro já anunciado pela Vale, em consequência à paralisação de unidades da mineradora ocasionadas pelo evento em Brumadinho, por medidas preventivas ou judiciais. No segmento de pelotas, a previsão é de um corte de 11 milhões de toneladas.

Siani explicou que é difícil fazer estimativas sobre quando será retomada a produção, mas reconheceu que no segmento de pelotas, caso a mineradora tenha novas baixas em produção, há risco de comprometer o abastecimento do mercado interno. O setor de siderurgia já adverte que pode faltar minério de ferro em um prazo de 60 dias.

– Considerando as instalações sem operação, qualquer retorno de produção será muito pequeno e num horizonte incerto. Em Brucutu, onde seria possível construir uma estrutura nova para receber rejeitos da produção, o prazo seria mais curto, de alguns meses. Em Timbopeba, também seria possível encontrar uma solução em prazo mais longos – explicou Siani.

As duas minas citadas por Siani estão com as operações interrompidas. A paralisação da mina de Brucutu responde por 30 milhões de toneladas do corte estimado para a produção anual de minério de ferro. Outras 13 toneladas seriam de Timbopeba. Do total calculado, entram ainda 40 milhões de toneladas de Feijão, Fábrica e Vargem Grande, e dez toneladas de Alegria.

– O abastecimento do mercado local está garantido, estamos trazendo minério de ferro de Corumbá, de Carajás, também de Vitória para o interior de Minas Gerais. No caso de pelotas, Brucutu e Timbopeba são muito importantes no fornecimento para o mercado interno. E não é infinito poder trazer pelotas de Tubarão para esse mercado por questões logísticas. Mas se perdermos mais produção pelo sistema a úmido, podemos comprometer o mercado interno – disse o executivo.

Na noite de quarta-feira, a Vale divulgou seu resultado financeiro de 2018, quando a companhia registrou lucro de R$ 25,6 milhões, avanço de quase 25% na comparação com o ano anterior . No quarto trimestre, o resultado da mineradora cresceu em cinco vezes sobre igual trimestre do ano anterior, puxado pela alta do preço do minério de ferro no mercado internacional internacional.

Luiz Francisco Caetano, analista da Planner Corretora, avalia que as baixas que a Vale terá de fazer no primeiro trimestre deste ano serão altas, mas não devem minar a lucratividade da mineradora:

– Quando houve o acidente, estimei uma perda de até US$ 6,5 bilhões. Pelo que já é conhecido, a perda será imensamente menor que isso. Não quer dizer que não será uma perda expressiva. Haverá grandes baixas, impairments enormes, perda de produção e vendas, sem contar as perdas humanas, que não têm preço. Mas a empresa vai seguir em frente e lucrativa – diz o analista.

O corte em produção e vendas, continua Caetano, acabam impulsionando o preço do minério de ferro no mercado internacional, o que compensa as baixas que a Vale.

Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos, pondera em comentário divulgado após a teleconferência realizada pela Vale, que o mercado segue aguardando uma sinalização da Vale de que as operações estão sendo normalizadas. “O mercado busca notícias de que, operacionalmente, a página está sendo virada. E não teve nenhuma sinalização muito clara nessa direção”, comentou. Já a estimativa de redução de vendas reflete as paradas de produção em curso, avalia ele.  “Mas pode ser revisada nos próximos meses, se houver retomada da operação de Brucutu”, concluiu.

Nesta quarta-feira, os papeis da Vale encerraram o dia com queda de 0,6%, cotados a R$ 49,30.

Baixas contábeis e provisionamentosA Vale já estima incluir em seu resultado do primeiro trimestre de 2019 ao menos R$ 2,57 bilhões em baixas contábeis e provisionamentos relativas aos ativos de Feijão e valores em doações, indenizações, multas e acordos diversos com a Justiça. As informações constam do relatório de desempenho da companhia em 2018.

Outras somas ainda estão sendo calculadas, incluindo o quanto será necessário para fazer o descomissionamento de todas as barragens a montante da companhia, mesmo sistema utilizado pela de Brumadinho. Quando a medida foi anunciada, quatro dias após o desastre em Feijão, no fim de janeiro, a estimativa de investimento era de R$ 5 bilhões, considerando laudos que asseguravam a estabilidade dessas estruturas. Após o evento, contudo, foi preciso revisar essas avaliações. Assim, a companhia diz que ainda não é possível estimar o custo envolvido nesse processo.

– Depois de Brumadinho, a percepção da companhia mudou em relação às barragens a montante. A ANM (Agência Nacional de Mineração), as companhias de engenharia que fazem os estudos, todos revisaram suas metodologias e tornaram as avaliações mais criteriosas e conservadoras. Ao mesmo tempo, essas avaliações passaram a ter de atender a parâmetros mínimos mais altos. Daí o nível de risco de tantas barragens ter subido. Queremos assegurar a segurança da operação. Neste momento, nossa última prioridade é a retomada da produção.

Na quarta-feira, a Vale elevou o nível de alerta de segurança de três de suas barragens em Minas Gerais: B3/B4, da mina Mar Azul, em Macacos, que fica em Nova Lima, e Forquilha I e III, da Mina Fábrica, em Ouro Preto. Como todas chegaram ao nível 3, foi preciso acionar o plano de evacuação da área de risco. Segundo a companhia, a medida porque os auditores que monitoram essas estruturas não conferiram a declaração de estabilidade “por terem fator de segurança abaixo do novo limite estabelecido” pela ANM.

Também não estão incluídos no cálculo multas administrativas aplicadas pelo Ibama em consequência ao evento em Brumadinho no valor de R$ 250 milhões, além de uma multa diária de R$ 100 mil, que data de 7 de fevereiro. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente do município mineiro também aplicou sanções que alcançam R$ 108 milhões. Todas elas estão em processo de negociação, segundo a Vale. A meta da companhia é que essas sanções sejam convertidas em projetos ambientais.

Fonte: Globo.com



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