Notícias



Trilho do medo: sem manutenção nas linhas, acidentes envolvendo trens são cada vez mais frequentes nas ferrovias da Bahia

Mal começou e 2017 já disse a que veio, no quesito insegurança ferroviária na Bahia. Se fosse realizada uma retrospectiva do ano que se inicia, pouco mais de um mês transcorrido, o resultado seria bem desanimador.

Apenas no mês de janeiro, na malha ferroviária baiana – que há muito tempo anda “caindo aos pedaços” -, foram dois acidentes envolvendo os trens de carga da empresa Ferrovia Centro-Atlântica S/A (FCA/VLI).

O primeiro sinistro do ano aconteceu em 21 de janeiro, no trecho de Santa Luz/BA a Queimadas/BA, km 313+700, por onde trafegava a composição com 2 (duas) locomotivas, tipo U 13, com 17 vagões GFD vazios, utilizados no transporte do Cromo. A ocorrência culminou com o tombamento do trem 2410, que provocou a perfuração do tanque e o vazamento do óleo diesel.

No interior da locomotiva estavam os seguintes empregados: José Alberto (maquinista), Bruno Raposo (maquinista) e Valter Araújo (inspetor de tração). De acordo com informações obtidas pelo SINDIFERRO, após o acontecimento, todos foram encaminhados para o hospital mais próximo, na cidade de Santa Luz/BA, onde receberam os primeiros socorros, e, posteriormente, levados para a cidade de Feira de Santana/BA, onde, no Hospital EMEC foram atendidos e submetidos a exames mais detalhados. Bruno Raposo e Valter Araújo tiveram escoriações leves, e, no mesmo dia foram liberados. Já o maquinista José Alberto sofreu vários arranhões e foi submetido a exames de raios-x e tomografia, ficando em observação médica, e só depois encaminhado para a cidade de Alagoinhas/BA, onde irá passar por novos exames neurológicos.

O outro incidente ocorreu em 28 de janeiro, no final do ramal do Porto de Aratu, no pátio da Magnesita, em Candeias/BA, quando o trem descarrilou e semi-tombou.

Por sorte, o maquinista da composição, que puxava apenas três locomotivas, não se feriu gravemente.

Por meio das cartas Nº014/CG/SINDIFERRO/17 e Nº016/CG/SINDIFERRO/17, a entidade sindical denuncia esse descaso à empresa FCA/VLI/VALE e a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Alerta

Em defesa dos trabalhadores e da população em geral, o SINDIFERRO – Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários e Metroviários da Bahia e Sergipe vem chamando atenção, de forma incessante, dos órgãos responsáveis, acerca das péssimas condições que se encontram as ferrovias nos estados da Bahia e Sergipe (há mais de 10 anos que a ferrovia sergipana deixou de operar).

Nos últimos anos, aconteceram inúmeros acidentes nos trechos operados pela FCA/VLI/VALE, na Bahia, inclusive com vítima fatal. Em 2016, o maquinista George Fagner, de apenas 28 anos, morreu depois que três locomotivas tombaram e pegaram fogo, no trecho entre os municípios de Licínio de Almeida e Urandi, sudoeste da Bahia. No momento do acidente, a empresa praticava a monocondução, isto é, um maquinista na operação, quando deveriam ser dois.

Faltam investimentos em manutenção, onde se necessita, urgentemente, da substituição dos trilhos e dormentes, que estão podres e com vida útil ultrapassada. Necessita-se também de limpeza e regularização de valetas, bueiros e encostas.



SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EMPRESAS DE TRANSPORTES FERROVIÁRIO E METROVIÁRIO DOS ESTADOS DA BAHIA E SERGIPE.
Rua do Imperador, nº 353 - Mares - Salvador-BA | Tel: (71) 3505-1263 - Tel: (71) 3505-1258
Diretoria de Comunicação: Guilhermano da Silva Filho | Jornalista: Rodolfo Ribeiro ( DRT/BA - 3452 )

SINDIFERRO. © 2021. Todos os direitos reservados.