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Vale corta produção de minério de ferro em 25 milhões de toneladas

A Vale confirmou na última segunda-feira que cortou neste mês 25 milhões de toneladas de minério de ferro de sua produção. Em tempos de recordes de baixa no preço do insumo, a estratégia da mineradora é reduzir a compra de terceiros e trocar minério de baixa qualidade e com custo de produção mais alto por um de maior teor de ferro, o que garantiria margens melhores para o produto.

De acordo o diretor executivo de Ferrosos da empresa, Peter Poppinga, mesmo com o ajuste, a meta de produção de minério de ferro de 340 milhões de toneladas neste ano está mantida. A explicação é que a Vale está adicionando capacidades em minas como Serra Leste, em Carajás (PA), e o Projeto Itabiritos, nos sistemas Sul e Sudeste da empresa, em Minas Gerais.

“Nosso mantra é não a volumes a qualquer custo; é maximizar as margens e, por isso, essa equação das 25 milhões de toneladas”, disse o executivo. Segundo ele, o corte ocorreu nos sistema Sul e “um pouquinho” no sistema Sudeste, ambos em Minas Gerais. Em abril a Vale já havia dito em teleconferência que poderia desmobilizar até 30 milhões de toneladas de produção de menor qualidade.

Meta de produção de 340 milhões de toneladas de minério em 2015 está mantida.

A reação do mercado foi imediata. A ação ordinária da mineradora, com direito a voto, subiu 8,12% nesta segunda-feira, a R$ 18,50, enquanto a PNA teve ganho de 6,59% (R$ 15,36) na Bolsa. No ano os papéis acumulam queda de 12,76% e 17,84%.

Poppinga lembrou que a estimativa para as compras de minério de terceiros no ano, em torno de 14 milhões de toneladas, deverá cair para menos da metade. O executivo destacou que a Vale realizou recentemente um pequeno ajuste em seu quadro de funcionários e que já está de volta a uma “fase de normalidade”.

“Tivemos a feliz coincidência de minas expandindo e os funcionários foram oferecidos a pegar essas outras vagas, transferindo outros de unidades e tentamos minimizar todas as consequências”, disse. Segundo o Sindicato Metabase Itabira, a Vale já demitiu 300 pessoas em 2015 na cidade, ante uma média histórica anual de 120. Na semana passada a empresa pôs 170 funcionários em férias coletivas por um mês nas minas de Feijão e Jangada (MG).
Uma outra declaração de Poppinga que animou o mercado foi a análise de que os preços do minério parecem ter chegado ao piso e, assim, deverão se recuperar no médio prazo. A Vale estima que aproximadamente 50 milhões de toneladas de minério de ferro sejam retiradas de mercado na China neste ano.

“Com o preço de US$ 60 a tonelada do minério de ferro, metade da produção chinesa estaria fora (se considerar a rentabilidade). Imagina agora com o preço em US$ 50 a tonelada. Fundamentalmente os preços têm de ser mais altos, mas há outros fatores financeiros e de mercado e o preço terá uma volatilidade grande para frente”, disse o diretor.

O preço do minério de ferro passa por um ciclo de baixa desde o ano passado, com os preços caindo para os patamares mais baixos em uma década. Na semana passada, por exemplo, a cotação chegou a US$ 44 a tonelada e nesta segunda-feira fechou em US$ 49,9 a tonelada. Apesar disso, as grandes mineradoras continuam expandindo suas capacidades. “Não estamos olhando os nossos competidores, cada um tem a sua estratégia”, destacou Poppinga nesta segunda-feira em conversa com jornalistas, após participar do 26º Congresso Brasileiro do Aço. “A Vale sairá mais forte desse momento de transição”, disse, citando que a redução de custos da companhia já chegou a 50% neste ano.

Ações. Segundo o analista da Alpes/WinTrade, Bruno Gonçalves, os investidores têm reagido bem às indicações da Vale de busca por uma maior racionalidade no mercado, diante da deterioração do preço do minério. O analista da Planner Corretora, Luiz Caetano, diz que os papéis da Vale já foram muito penalizados, por isso reagem a qualquer notícia minimamente positiva.

Caetano frisa que Vale havia anunciado em abril que descontinuaria a produção de minas menos rentáveis. A declaração casou com o discurso feito na mesma época por suas maiores concorrentes, a BHP e a Rio Tinto, que sinalizavam uma certa desaceleração em suas expansões. Ele acredita que isso foi precificado e ajudou na recuperação do preço do minério naquele período para a casa dos US$ 65. Agora os preços voltaram à baixa, acumulando queda de quase 30% no ano.

Pedro Galdi, analista do site WhatsCall, pontua que o ciclo dos metais como um todo continua a ser de baixa, mesmo após esse anúncio da Vale. “Pontualmente pode subir o preço sim, mas o ciclo ainda é de baixa. Além disso, a Vale reduziu a produção de um minério de qualidade mais baixa, porque não valia a pena manter em termos de retorno”, acrescenta.

CSN. O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, disse que a venda de ativos não relacionados à atividade principal da empresa pode acontecer ainda neste ano. “Tendo em vista os juros hoje no Brasil, temos de tomar cuidado com o nível de endividamento”, disse o empresário durante um evento em São Paulo. O Estado publicou na edição desta segunda-feira que Steinbruch já está negociando com bancos a venda de alguns ativos. Segundo ele, aqueles ativos que, “apesar de muito bons, não estão gerando Ebitda adequado”, podem ser objeto de desinvestimento no momento, sendo que um dos objetivos é o fortalecimento dos ativos estratégicos da companhia, que são mineração, siderurgia e cimento. “Dentro disso vamos estudar uma maneira de ‘devargazinho’, na medida que tem oportunidade, oferecer esses bons ativos que temos, que não são diretamente relacionados à atividade core, ao mercado”, afirmou. Entre os ativos que podem ser vendidos, ele citou a fatia na MRS e na Usiminas.

Fonte: Folha de S. Paulo



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