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VLT recebe crítica, mas edital sai este mês

Nas oficinas da antiga CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) na Estação da Calçada, estão três trens climatizados, adquiridos em Minas Gerais, ao custo de R$ 8 milhões em 2013, que não rodam há mais de cinco anos. Três outros, reformados em São Paulo em 2007, também estão parados.  Em compensação, para atender ao Subúrbio Ferroviário de Salvador, existem apenas dois trens, reformados em 2001 e que transportam diariamente 10 mil passageiros.

As denúncias apresentadas na última quinta-feira, durante audiência pública na Defensoria Pública do Estado da Bahia, foram feitas pelo coordenador do Movimento Trem de Ferro, Gilson Vieira. Munidos de documentos,  entre os quais petição à Procuradoria Geral de República e da Associação dos Engenheiros Ferroviários da Bahia e Sergipe, Gilson diz que, além de tornar a obra mais onerosa, a proposta de se mudar os trilhos da malha ferroviária, para a entrada do VLT – Veículo Leve sobre Trilho, trocando-os por outros de bitolas semelhantes ao do metrô, vai deixar toda a população da região sem transportes pelo tempo  que durarem as obras.

Edital sai este mês
Segundo nota da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE), o Edital de licitação para concessão do projeto do VLT está prevista para ser lançado no próximo mês de abril. A nota diz ainda que todos os investimentos vão ser realizados pelo parceiro privado, e que nesse projeto, numa terceira fase, está incluído também o projeto do Trem Metropolitano de Passageiros, que vai ligar Salvador até Camaçari, na Região Metropolitana.

O VLT, que vai substituir o atual Trem do Subúrbio, terá 18,5 quilômetros de extensão e 21 estações. Estão previstas intervenções em duas fases: a primeira, entre o Comércio e Plataforma, com 9,4 quilômetros; a segunda, entre Plataforma e São Luiz, tem nove quilômetros, e uma terceira, com 1,5 quilômetros, entre Paripe e a localidade de São Luís.

Conforme o projeto, os usuários do VLT estarão integrado às linhas 1 e 2 do metrô e aos roteiros do BRT (Transporte Rápido por Ônibus) metropolitano. A perspectiva é de beneficiar, diretamente, os mais de 600 mil moradores do Subúrbio Ferroviário de Salvador. A capacidade diária do futuro VLT será de 100 mil usuários. Atualmente, a malha ferroviária que liga Paripe à Calçada é de 13,6 quilômetros;

Audiência Pública   
Na audiência pública que resultou na formação do Fórum  de Defesa dos Trens de Salvador, reunindo entidades civis, e especialistas ferrovias do CREA e Sindicato dos Engenheiros,  foram apresentadas propostas de
revitalização dos trens e a extensão do atual trajeto, entre Calçada e Paripe, para outros municípios da Região Metropolitana de Salvador. A proposta do fórum e tentar um diálogo mais consistente com o Governo do Estado.

No caso do VLT de Salvador a alteração da bitola métrica existente,  o engenheiro Carlos Alberto Martins da Matta , presidente da Associação dos Engenheiros Ferroviários da Bahia e Sergipe , diz que as mudanças  serão complexas e exigirão grandes ajustes na ampliação da largura da plataforma da via, na substituição total dos dormentes, na alteração  e nos aterros e cortes, o que implicará no aumento substancial dos custos das obras, diz o documento assinado pelo engenheiro.

Revitalização 
Há 30 anos, desde quando foram desativados o transporte ferroviário de passageiros para os municípios da Região Metropolitana de Salvador, e transferidos da União apara o Município e atualmente para o estado, a operacionalização dos trens em Salvador, que o Movimento Trem de ferro luta pela revitalização dos trens de passageiros. “Há 30 anos lutamos pelo resgate desses trens, pois sua revitalização é inerente à sobrevivência de famílias que vivem nas adjacências da ferrovia”, declarou.

Numa petição encaminhada no ano passado à Procuradoria Geral da República, o Movimento Trem de Ferro denunciou que existem apenas dois trens que circulam entre 06h às 20h, de segunda a sábado, com intervalos de 40minutos. Os trens ainda sofrem constantes avarias diariamente, situação esta que já perdura por 11(onze) anos, sendo 08(oito) anos na  gestão Municipal e os últimos 03 (três) anos na gestão Estadual.

O documento relata ainda que de 2005 até 2013 foram gastos aproximadamente R$ 200 milhões, com garantias da CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos, gestora do Sistema na época, antes de transferir a gestão do sistema para a Prefeitura. Nas obras foram feitas a troca de mais de  nove mil metros de trilhos novos importados de outros países, troca de mais de oito mil dormentes de concreto monobloco, reforma de oito estações, substituição das subestações de energia elétrica e reforma da ponte  São João, na Enseada do Cabrito .

Além do mais o documento aponta que foram feitas as reformas de duas locomotivas diesel/elétricas, realizadas no Rio de Janeiro, e aquisição de três trens reformados com capacidade de transportar 600 passageiros, cada, em São Paulo entre 2007 e 2009, e outros três que vieram de Minas Gerais, pela empresa  GK Engenharia, num custo total de R$ 8.731.800,00, di]os quais foram pagos R$ 7.967.106,00

Conforme explicou o coordenador do Projeto Trem de Ferro excluir o trem significa excluir parte da identidade da região do Subúrbio Ferroviário de Salvador, além de inviabilizar uma expansão dos trens para a Região Metropolitana. “Nas outras capitais o sistema usa as mesmas bitolas dos trens, aproveitando-se as estruturas de trilhos e estações existentes”, diz.

Fonte: Tribuna da Bahia



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