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Vale capta US$ 1 bilhão no exterior e anuncia baixa contábil

 

A Vale captou US$ 1 bilhão com a reabertura de uma emissão de bônus com vencimento em agosto de 2026, segundo fontes que acompanharam a operação. A demanda pelos títulos alcançou cerca de US$ 5,4 bilhões, a despeito da informação de que a mineradora deve reconhecer uma baixa contábil de pelo menos US$ 1,2 bilhão nos seus resultados do quarto trimestre e de 2016, que serão apresentados em 23 de fevereiro.

Isso porque o impacto direto do ajuste no balanço é para o acionista. Na Bovespa ontem, as ações preferenciais classe A (PNA) da Vale caíram 1,4% e as ordinárias (ON), 2,25%.

Do ponto de vista do investidor em títulos de dívida, o que pesa mais é a capacidade de pagamento da empresa. Além disso, o fluxo de pagamento do bônus é fixo. Segundo um interlocutor, o ajuste contábil poderia influenciar a percepção de risco acerca da Vale, mas os investidores atraídos pela emissão de bônus aparentemente não levaram isso em conta no preço.

A taxa da nova emissão, estimada inicialmente em 5,45%, caiu para 5,2%. Além de representar uma queda de 1,05 ponto em relação ao rendimento pago na oferta original em agosto do ano passado, quando a Vale captou US$ 1 bilhão com juro e cupom de 6,25%, trata-se de um dos menores prêmios exigidos pelo investidor para entrar numa oferta primária. O NIP (new issue premium, no termo em inglês) oscilou entre 3 e 5 pontos-base sobre o juro da emissão original no mercado secundário, em torno de 5,15%. Em emissão de dez anos realizada em janeiro, a Petrobras pagou um prêmio de 15 pontos.

Os novos bônus da Vale formarão uma única série com os títulos emitidos em 3 de agosto de 2016, com cupom de 6,25%.

Apesar da redução do custo de captação em relação a 2016, a taxa ainda está acima do juro médio de 4,35% ao ano pago nas duas emissões de dez anos realizadas pela companhia anteriormente, em janeiro e abril de 2012, antes portanto da perda do grau de investimento pelo Brasil.

Os recursos levantados na emissão – coordenada pelos bancos Bradesco BBI, BB Securities, J.P. Morgan, MUFG Securities Americas e Santander – serão usados, entre outros, para financiar o resgate antecipado de bônus com vencimento em março de 2018 já previsto, no valor de € 750 milhões e cupom de 4,375% ao ano.

O anúncio da baixa contábil por redução ao valor recuperável de ativos (impairment, na expressão em inglês) ocorre por ocasião da reabertura da emissão. As informações constam de formulário apresentado à Securities and Exchange Commission (SEC), reguladora do mercado de capitais americano e referem-se a eventos ocorridos após o último balanço publicado, com dados até setembro de 2016, e que precisam ser detalhados, por exigência do regulador. Caso da venda do negócio de fertilizantes da Vale à americana Mosaic, por US$ 2,5 bilhões, anunciada em dezembro do ano passado.

Somente a baixa de US$ 1,2 bilhão pela venda de ativos representa 35% do lucro líquido acumulado pela Vale nos nove primeiros meses de 2016 – de US$ 3,46 bilhões (R$ 11,74 bilhões). A mineradora informou que, em razão da perspectiva de preços menores de certos produtos, espera registrar novas baixas contábeis nas operações de metais básicos de Newfoundland and Labrador, no Canadá, e Nova Caledônia, na Oceania.

Segundo a Vale, o valor final dessas baixas contábeis ainda não foi determinado, mas, com base nas atuais estimativas da companhia, espera-se que elas sejam significativamente menores do que o impairment reconhecido nestes ativos em 2015. A mineradora confirmou que, para as operações de metais não ferrosos, o impairment também será registrado no balanço do quarto trimestre. No ano de 2015, a Vale registrou baixas contábeis por redução ao valor recuperável de ativos de US$ 9,37 bilhões, ante US$ 1,18 bilhão em 2014.

Antes do anúncio, a expectativa do mercado era de fortes resultados para a Vale no quarto trimestre, impulsionados pela valorização do minério de ferro ao longo do ano. De outubro a dezembro, o preço médio do minério com teor de 62% de ferro negociado no porto chinês de Tianjin foi de US$ 69,90 por tonelada, ante US$ 59 por tonelada na média do terceiro trimestre e US$ 46,20 no quarto trimestre de 2015, segundo dados da consultoria The Steel Index.

No comunicado à SEC, a Vale informou que seus resultados do quarto trimestre e de 2016 foram afetados por fatores como preços melhores de minério de ferro, tendência de preços de outros produtos e variações cambiais.

 Fonte:  Valor Econômico


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